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O menino dragão (Capítulo V)

Enquanto o menino voava, ele percebeu que já estava na hora de aterrissar. Assim, ele pousou e continuou andando à pé. Ele estava em um lugar que era muito parecido com um deserto.
Mas, do nada, o chão onde ele estava mudou para uma floresta! De deserto, para uma bela floresta.
O menino ficou pensando “o que foi isso?”. Daí, o ambiente mudou de novo para o campo de flores por onde ele já havia passado.
O garoto estava bem confuso… “o que será que está acontecendo?”, ele pensava.
Mais uma vez, o cenário mudou: para aquele riacho onde o menino parou para beber água e foi atacado por um rinoceronte.
E o cenário mudou de novo… e o menino reconhecia o lugar. Era a casa de seus avós fazendeiros.
Mas o garoto não pôde entrar na casa, porque, antes disso, o cenário mudou para o lugar perto da floresta onde ele encontrou aquele homem estranho.
E o menino viu ele mesmo, conversando com aquele homem! O menino estava com seu corpo normal, sem asas, sem garras e sem cauda. Ou seja, antes de sua transformação!
Então, ele percebeu que sua transformação ficou completa. O menino reparou em si mesmo e descobriu que seu corpo já não era mais de menino, pois tinha todos os membros de um dragão: patas, garras, asas, uma cauda, um focinho e pescoço longo… e também sua pele era vermelha, coberta de escamas!
Quando ele percebeu isso, não teve mais medo algum. Porque era a cor que ele mais amava.
Ao observar a cena da conversa entre ele e o tal homem estranho, o sujeito fez algo antes de desaparecer: o homem se transformou em um dragão negro.
O menino normal (da cena), ao olhar isso, quase foi agarrado pelo dragão negro. Quase foi agarrado porque o menino-dragão (agora dragão vermelho) impediu o dragão negro, de repente.
O menino-dragão, rapidamente, pegou o menino normal e saiu voando com ele, para escaparem juntos.
Após um momento, enquanto voavam para longe, o menino normal disse:

– Você é um dragão?! E está me ajudando?!
O menino-dragão respondeu:
– Você sabe que também é um dragão, certo? Porque eu sou você.
Assustado e confuso, o menino normal falou:
– O quê? Você é eu? Eu sou você? Nós somos o mesmo?
O menino-dragão disse:
– Isso é verdade. Não precisa ficar confuso. Se eu consegui me tornar um dragão, você também conseguirá.
De repente, o cenário todo mudou mais uma vez. O ambiente era aquela floresta, onde surgiu o tigre. E eles viram outro menino normal, lá embaixo na floresta! O garoto estava enfrentando um tigre, atacando com as garras de dragão que acabou de ganhar!
E o menino-dragão disse para o menino normal que voava, junto dele:
– Viu? Aquele menino também é você! Então, se ele conseguiu ganhar as garras, as outras partes do corpo dele também vão virar partes de dragão. Igual a você, que também vai conseguir.
Antes de terminar a frase, o menino-dragão olhou com seus olhos de dragão para o menino que estava levando. Mas o menino já não era mais normal: nele, as mãos deram lugar para as garras… que logo eram os braços inteiros… de um dragão azul.

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O menino dragão (Capítulo IV)

O menino continuou andando. Ele encontrou um lugar cheio de flores, mas sem árvores, como se fosse um jardim. Então, dos céus, apareceu uma águia gigante. Era enorme, bem maior que o menino. Ela sobrevoou o menino por um instante e mergulhou de repente, na direção dele!
Com suas garras afiadas, ela pegou o menino pelos ombros e levantou voo com ele.
O menino percebeu que não podia fazer nada, estava indefeso. Ele tentava se libertar da águia, mas não conseguia se movimentar.
Então, ele tentou usar suas garras de dragão. Assim, ele conseguiu atingir uma das asas da ave, mas só tirou algumas penas. Daí ele tentou usar sua cauda, por duas vezes, sem sucesso: não podia atingir a águia.
Do nada, então, o menino sentiu que possuía uma força e uma resistência que não conhecia antes. Ele percebeu que, como já tinha garras e uma cauda, sua força e resistência seriam de um dragão.
O menino usou sua força para dar dois golpes na águia, que foi ficando fraca e ele aproveitou para se livrar das garras dela. Ele conseguiu! Mas… ele começou a cair!
Quando estava caindo, nasceram asas nas costas do menino. Um par de asas de couro vermelhas.
Então ele soube o que fazer: bateu suas asas novas com força, e aí sua queda virou um voo bem alto!
Ele se lembrou do caminho que seguia pelo solo e continuou sua jornada, desta vez, no ar.